Raciocínio lógicoPlanejamento e estratégiaMemória de trabalho

Jogo de Bases

Jogo de Bases🔍
Jogo de Bases — componentes🔍
Faixa etária7+ anos
Jogadores2 ou mais
Duração~30 min

O Jogo de Bases é jogado com um dado e quatro tipos de fichas coloridas: amarelas, azuis, verdes e vermelhas. A cada turno, o jogador lança o dado e pega o número de fichas amarelas correspondente. O ponto central do jogo está nas trocas: 5 fichas amarelas valem 1 azul, 5 azuis valem 1 verde, 5 verdes valem 1 vermelha. Quem primeiro conquistar a ficha vermelha vence. O desafio não é tirar números altos no dado; é fazer cada troca no momento certo, sem desperdiçar ficha nem deixar recurso parado.

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Cada partida é um exercício que vai além do jogo.

Raciocínio Lógico e Cognitivo

● Central

Raciocínio lógico

O jogo é uma representação manipulativa do sistema posicional em base 5. A cada turno, o jogador precisa calcular quantas fichas tem, o que falta para subir de nível e como distribuir o resultado do dado da forma mais eficiente.

◉ Presente

Pensamento abstrato

As fichas de cores diferentes representam valores posicionais distintos, sem relação visual ou narrativa que explique isso. O jogador constrói essa hierarquia mentalmente e opera com ela a cada rodada.

Funções Executivas

● Central

Planejamento e estratégia

Não existe uma jogada automática. O jogador precisa decidir, a cada turno, como usar o resultado do dado: pegar fichas simples ou realizar trocas parciais que aceleram a chegada à ficha seguinte.

● Central

Memória de trabalho

Para calcular a melhor jogada, o jogador mantém em mente o estado atual de todas as suas fichas e simula mentalmente o resultado da troca antes de executá-la. Quanto mais colunas em jogo, maior a demanda sobre a memória operacional.

◉ Presente

Controle inibitório

O impulso natural é pegar as fichas que o dado mostra e encerrar o turno. O jogo exige conter esse impulso e substituí-lo por um cálculo deliberado sobre como aproveitar o resultado com mais eficiência.

◉ Presente

Atenção e foco

O estado do jogo muda a cada turno. Acompanhar o próprio banco de fichas com precisão ao longo de toda a partida exige atenção sustentada e rastreamento contínuo.

◉ Presente

Flexibilidade cognitiva

Nas variantes com bases irregulares, cada nível tem uma regra de troca diferente. O jogador precisa ajustar o cálculo a cada coluna, sem transferir automaticamente a lógica do nível anterior.

Socioemocional

○ Periférica

Tolerância à frustração

O dado introduz um elemento de sorte que pode limitar um bom plano. O jogo exercita a capacidade de continuar calculando mesmo quando o resultado não é o ideal.

Por que este jogo funciona.

O Jogo de Bases trabalha, de forma concreta e manipulativa, a mesma lógica que sustenta o sistema de numeração decimal: o agrupamento por valor posicional. A criança não recebe essa informação como regra a memorizar. Ela a descobre operando com as fichas, tentando trocar, errando o momento da troca, percebendo a diferença entre ter quatro amarelas e ter uma azul. É o tipo de compreensão que se constrói pelo fazer, e que tende a ser muito mais estável do que a adquirida por explicação direta.

Do ponto de vista das funções executivas, cada turno coloca em movimento ao mesmo tempo raciocínio lógico, memória de trabalho e controle inibitório. O jogador precisa lembrar do estado atual de suas fichas, calcular a jogada mais eficiente e resistir ao impulso de agir sem pensar, tudo antes de pegar uma única ficha. Pesquisas com jogos de estratégia de tabuleiro demonstraram correlação positiva significativa entre esse tipo de engajamento e o desenvolvimento de memória de curto prazo e raciocínio fluido (Foroughi et al., meta-análise internacional).

Para educadores, o jogo tem uma característica particularmente útil: ele revela, de forma muito legível, os diferentes estágios de compreensão de cada aluno. Quem age por impulso ainda não internalizou a lógica posicional. Quem para, conta e calcula antes de agir já demonstra compreensão operatória do agrupamento. O professor consegue observar isso em tempo real, sem precisar de avaliação formal.

Em cada contexto, de um jeito.

Em sala de aula

Para o professor de matemática

O jogo funciona bem em duplas ou trios, com cada grupo operando seu próprio banco de fichas. A partida cabe em 20 a 30 minutos, e pode ser usada como atividade de abertura antes de introduzir formalmente o conceito de dezena, ou como revisão após a explicação. Para turmas do 1º ao 3º ano, o mediador pode pedir que os alunos verbalizem o raciocínio antes de pegar qualquer ficha. Em turmas mais avançadas, as variantes com outras bases ou bases irregulares aumentam o desafio sem exigir materiais novos.

Em atendimento

Para o especialista em aprendizagem

O jogo é uma ferramenta de observação eficiente para psicopedagogos que trabalham com dificuldades de numeração. A forma como o paciente realiza as trocas revela muito sobre seu grau de compreensão do agrupamento posicional: age por impulso, fica em dúvida, calcula com segurança. A mecânica também permite observar controle inibitório e tolerância à frustração em contexto estruturado. Pode ser introduzido já nas primeiras sessões, com regras simplificadas se necessário.

Em casa

Para jogar em família

Pais e filhos jogam com as mesmas regras, o que torna a partida genuinamente competitiva mesmo com idades diferentes. A criança percebe que quem pensa melhor antes de pegar as fichas leva vantagem, e isso acontece de forma natural, sem parecer estudo. Vale jogar algumas partidas com raciocínio em voz alta, cada um explicando o que está pensando antes de agir. A conversa que surge nesse processo é, ela mesma, parte do aprendizado.

O jogo cresce com o jogador.

7-9
Crianças em construção do conceito de dezena

Antes de nomear, entender pelo fazer

Crianças nessa faixa ainda estão construindo a compreensão de que dez unidades formam um grupo. O jogo oferece essa experiência de forma concreta, antes de qualquer formalização simbólica. Indicado para uso no 1º e 2º ano do Ensino Fundamental.

9-12
Crianças com base numérica estabelecida

Aprofundamento do raciocínio posicional

Para quem já domina o sistema decimal, jogar em base 5 coloca esse conhecimento em perspectiva e exige raciocínio mais sofisticado. As variantes com bases irregulares ampliam ainda mais o desafio, sem precisar de novos materiais.

Pacientes com dificuldades de numeração ou TDAH

Observação e intervenção em contexto lúdico

A mecânica revela com clareza o nível de compreensão posicional e o grau de impulsividade do paciente. O ambiente de jogo reduz a resistência ao erro e facilita a intervenção do especialista de forma não confrontacional.

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